terça-feira, 20 de agosto de 2013

Alternativa de casas flutuantes para ribeirinhos

A problemática que afeta nossos munícipes ribeirinhos nas épocas das enchentes, torna-se crucial para essas famílias que moram por várias gerações nas várzeas e beiras de rios. Esses fenômenos cíclicos hídricos têm trazido transtornos, insegurança e prejuízos. Suas modestas moradias são construídas de forma rústica tipo palafitas fixas de assoalho alto e com simplicidade, não possuindo vida longa em sua utilização, pois a cada enchente são castigadas pelas águas dos rios com fortes banzeiros (ondas), causadas pelos fortes ventos das tempestades que aos poucos vão enfraquecendo-as e danificando-as, além do fenômeno das terras caídas que agora com maior intensidade passou a ser mais uma ameaça a esses ribeirinhos que não conseguem mais ter segurança nem tranqüilidade com os efeitos das “mudanças climáticas” que já estão interferindo diretamente em suas vidas no dia-a-dia...

Analisando este fato e verificando que essas pessoas resistem culturalmente em sair destes locais, alegando tradição familiar, e respeitando essa cultura que faz parte de nossa histórica ocupação amazônica, torna-se necessário que novas idéias sejam dinamizadas para solucionar esses agravantes e que possam levar soluções econômicas para essa faixa da população que vive na condição de remanescentes ribeirinhos. Então aqui vai minha humilde contribuição num projeto que poderia ser chamado de “Projeto Vitória Régia”, por tratar-se de unidades habitacionais flutuantes simples e utilizando materiais de nossa região como madeiras e outros de condições recicláveis.

Essas casas não seriam mais feitas tipo palafitas fixas, pois os níveis das enchentes estão ficando cada vez mais irregulares e maiores, a idéia é que poderiam ser construídas sobre jangadas em toras de madeira com características flutuantes como já se usa em Manaus há muito tempo, cidade que possui praticamente um bairro flutuante, podem-se fazer também flutuadores com tambores de polietileno (plástico) resistente de 200 litros hermeticamente fechados, presos em estrutura de vigas de madeira com abraçadeiras metálicas galvanizadas, e finalmente com materiais recicláveis como garrafas PETS e similares, que se encontra com facilidade nas áreas urbanas e de graça, poluindo o meio ambiente...

As garrafas PETS, como são menores, seriam acondicionadas dentro de flutuadores tipos caixotões feitos de tábuas resistentes à água, e telas de alambrados galvanizados sob uma plataforma rígida de madeira, sobre a qual seria construída a residência de acordo com o tamanho da família, deixando-se áreas de circulação externa e espaço nos fundo que possa ser utilizado para a produção de verduras e legumes em canteiros, instalar um galinheiro doméstico e um reservatório de água potável no piso ou elevado, dimensionar um mini-projeto de iluminação solar e um poço semi-artesiano com bomba para cada unidade habitacional, dando condições de sobrevivência a essas famílias durante as enchentes sazonais. É prudente manter salva-vidas neste tipo de habitação para maior segurança.

A fixação dessas unidades flutuantes poderia ser feita com ancoragem de blocos de gravidade em concreto e cabos de aço, ou em esteios de madeira enlaçados com pneus de carros descartados pelo desgaste de uso, método que daria condições da casa acompanhar o nível do rio ou lago, inclusive na seca que ficaria próximo ao solo. A capacidade de boa flutuação, comporta em média 230 unidades de garrafas PETS por metro quadrado (m2) e sustenta duas pessoa já considerando-se a estrutura da casa.

O poder público ou alguma instituição de direito, deveria construir um protótipo desse projeto e se certificar da viabilidade logística e econômica, e levar mais tranqüilidade e conforto com qualidade de vida a essas famílias que tem por tradição morar nesses biomas e ambientes aquáticos exercendo a sua existência na interação homem/natureza com sustentabilidade.

*É Gestor Ambiental
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