quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Detentos do presídio de Santarém fazem greve de fome, e detento diz que pode haver mortes

'Pode haver mortes aqui', diz suposto detento em presídio
O Jornal Tapajós conseguiu contato com um homem que se identificou como Ricardo e diz ser detento do Centro de Recuperação Agrícola Silvio Hall de Moura, localizada na comunidade Cucurunã, em Santarém, oeste do Pará. O próprio
detento teria efetuado a ligação de dentro da casa penal para nossa produção de jornalismo. 

Os presos estão fazendo greve de fome desde segunda-feira (9). De acordo com a Superintendência do Sistema Penal do Pará (Susipe), a greve está sendo feita pelos presos provisórios. O motivo seria o cancelamento de um mutirão carcerário a ser realizado pela Justiça.

O detento que teria entrado em contato com a TV Tapajós por telefone de dentro da penitenciária ameaçou realizar motim dentro da casa penal. “Pode haver muitas mortes aqui dentro, entendeu? Estão tudo solto, já... pra guerra, pra tudo, entendeu? Pra morrer ou pra matar, entendeu?”, ameaçou.

A irmã de um detento que foi condenado por assalto confirmou que os presos utilizam telefones celulares dentro da penitenciária. “Há essa possibilidade de comunicação com eles sim. Não são todos os internos, mas a maioria deles têm contato com o pessoal aqui de fora e eles encobrem isso. Eles [direção] sabem que entra celular, de uma maneira ou de outra”, afirma.

Esta é a segunda vez que os detentos do Centro de Recuperação Agrícola Silvio Hall de Moura fazem greve de fome. A primeira foi em maio deste ano, quando os presos da casa penal e do setor de triagem da Polícia Civil não aceitavam alimentação para cobrar mais rapidez em seus processos na Justiça.

A Susipe afirma desconhecer o uso de celulares de dentro do presídio, uma vez que a região em que fica instalada a unidade prisional não possui cobertura de telefonia móvel. A Susipe informa também que o protesto por conta do cancelamento do mutirão carcerário que seria realizado pelo poder judiciário no inicio de setembro, até então, é pacífico. Não há presos reféns. No entanto, o serviço de inteligência da superintendência penal do Estado acompanha a movimentação dos internos de todos os blocos carcerários da unidade prisional, e já solicitou reforço do Grupamento Tático Operacional da Polícia Militar para o caso de uma possível intervenção e manutenção da ordem.

Em nota, o Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA) informou que, nesta quarta-feira (11), a Corregedoria do Interior e o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário vão reunir com os juízes das quatro varas criminais de Santarém para analisar a situação dos presos provisórios, que são, em grande número, provenientes de outras comarcas. Entre os dias 2 e 6 de setembro, foi realizado mutirão carcerário para verificar a situação dos presos provisórios e sentenciados da Comarca de Santarém, mas a Corregedoria e o Grupo de Fiscalização observaram que há um grande número de presos de outras comarcas. Diante dessa situação, o Tribunal de Justiça decidiu fazer um novo levantamento e analisar a situação para decidir que medidas tomar.

No Tapajó

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