terça-feira, 3 de setembro de 2013

Dilma estuda medidas de retaliação aos EUA após denúncia de espionagem

Demonstrando indignação com as informações de que foi alvo direto de espionagem da NSA (Agência Nacional de Segurança, na sigla em inglês), dos EUA, a presidente Dilma Rousseff analisa pelo menos três reações contra o 
governo americano:
1) fazer um "forte discurso" contra a NSA em setembro, na abertura da Assembleia-Geral da ONU;
2) convocar o embaixador brasileiro em Washington e
3) até cancelar, em último caso, a viagem oficial aos EUA, prevista para outubro.
Dilma vai decidir de acordo com a resposta que o presidente Barack Obama der ao episódio, revelado pelo "Fantástico".

Segundo um assessor, a presidente exige uma "resposta satisfatória" porque não está só "indignada, mas também muito irritada". Sente-se "enganada" pelo governo americano.
Quando surgiram as primeiras notícias sobre espionagem da agência americana no Brasil, os EUA garantiram que a atuação estava circunscrita a "metadados" (telefone de origem, destino, hora e duração da chamada), com cruzamentos de informações genéricas que seriam, inclusive, de interesse brasileiro.
Dilma deve pedir uma ação multilateral contra a espionagem americana.
Em reunião nesta segunda-feira (2) com alguns ministros, ela determinou que o Itamaraty busque apoio de outras nações, como os demais integrantes dos Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul), para se construir um discurso único contra ações que afetem a soberania dos países.
A presidente tem reunião bilateral prevista com Barack Obama já nesta semana, na cúpula do G20, na Rússia. O encontro vinha sendo combinado antes de o "Fantástico" revelar o caso de espionagem.
Dentro do governo, uma ala defende um discurso duro em "pleno território americano", durante a Assembleia da ONU.
Outra quer convocar o embaixador brasileiro em Washington, e um terceiro grupo advoga por uma resposta mais extrema, o cancelamento da viagem de outubro.
A avaliação desses últimos é que, sem "resposta convincente" de Obama, Dilma não teria como ficar "tirando foto" ao lado do presidente americano. Nas palavras desses auxiliares, seria o mesmo que o Brasil dizer ao mundo que não se importa em ser espionado.
O porta-voz da presidente, Thomas Traumann, diz que "a possibilidade [cancelamento da viagem] não está na mesa" nem "em análise".
ESPIONADA
Segundo reportagem do "Fantástico", da Rede Globo, exibida neste domingo (1º), a presidente foi alvo direto da espionagem realizada pela NSA.
Os documentos secretos que basearam as denúncias foram obtidos pelo jornalista Glenn Greenwald com o ex-técnico da NSA Edward Snowden. Eles faziam parte de uma apresentação interna para funcionários da agência.
De acordo coma apresentação, foi monitorada a comunicação entre Dilma e seus assessores, assim como dos assessores entre eles e com terceiros. Também Enrique Peña Nieto, atual presidente mexicano (então líder na campanha presidencial), teria sido espionado.
O documento mostra que a NSA usou programas capazes de capturar inclusive o conteúdo de mensagens de texto.
No caso de Dilma, o objetivo da operação seria o de "melhorar a compreensão dos métodos de comunicação e dos interlocutores da presidente e seus principais assessores".

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