quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Eduardo Campos vai se encontrar com Dilma para colocar cargos do PSB à disposição

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, vai se encontrar nesta quarta-feira (18) às 12h30 com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília, para colocar os cargos do PSB ocupados na esfera federal à disposição.
Na terça (17), o governador e potencial candidato à Presidência pelo PSB, comunicou ao ex-presidente Lula que o partido entregará os cargos que ocupa no primeiro e nos demais escalões do governo.
A decisão sobre a entrega dos cargos está sendo tomada agora, durante reunião da Executiva do PSB, em Brasília. A ideia é formalizar uma carta explicando a decisão e reclamando dos constrangimentos com cobranças do Planalto e partidos aliados, como PMDB e PT, nos bastidores.
ELEIÇÕES
Será o passo mais concreto do pernambucano até agora na direção de assumir definitivamente sua candidatura à Presidência da República, o que deve ocorrer no mês de março, conforme cronograma interno do partido.
Segundo a Folha apurou, apesar da entrega dos cargos de confiança, a tendência majoritária no PSB é manter o apoio formal à presidente da República no Congresso.

Roberto Stuckert Filho - 25.mar.2013/Divulgação/PR
O governador Eduardo Campos (batendo palmas), a presidente Dilma Rousseff e outras autoridades em evento em Pernambuco
O governador Eduardo Campos (batendo palmas), a presidente Dilma Rousseff e outras autoridades em evento em Pernambuco
Trata-se de um antídoto contra acusações veladas, atribuídas a Dilma, de que o partido flerta com a oposição mas não abre mão de seus dois ministérios (Integração Nacional e Secretaria de Portos) e postos de comando em estatais como a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste).
Presidente do PSB, Campos está operando para que não haja rompimento agora, apenas a devolução de cargos.
Nesta terça, dirigentes contabilizavam apoio de 90% da Executiva, mas ainda faltava acertar o desembarque com alas resistentes a perder espaço na administração federal.
Em privado, Eduardo Campos informou haver um clima de rompimento no partido, mas considera não ser o momento político de bancar uma separação. Ele contou a aliados que trabalha para segurar a aliança em solidariedade a Lula, de quem é amigo.
Na sexta-feira passada (13), o ex-presidente convenceu Dilma e demais integrantes do conselho político informal da presidente a não expulsar o PSB de Campos da Esplanada, como se cogitava no Palácio do Planalto.
Há meses Dilma não esconde a irritação com o governador. Ela comentou com assessores não ter gostado nada da foto em que Eduardo Campos aparece, sorrindo, ao lado do oposicionista Aécio Neves (PSDB-MG), outro virtual candidato. Segundo a presidente, a foto era uma provocação do líder do PSB.
Outra contrariedade: a petista reprovou o apoio do pernambucano ao diplomata Eduardo Saboia, responsável pela fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina da embaixada brasileira na Bolívia para o Brasil. Saboia agiu sem autorização do Planalto, o que irritou a presidente.
Na terça, representantes do PSB na Esplanada evitaram comentar a iminente saída do governo e mantiveram suas agendas programadas para a semana.
Ainda não se sabe se o desembarque atingirá os dois ministérios, já que a Secretaria de Portos é ocupada por Leônidas Cristino, afilhado do governador Cid Gomes (PSB-CE), aliado de Dilma dentro da legenda. Na Integração Nacional, o ministro Fernando Bezerra foi indicado por Eduardo Campos.
Uma hipótese levantada por interessados em manter espaço no governo é negociar com Dilma a permanência na "cota pessoal", a exemplo do que ocorre com o ministro Afif Domingos (Micro e Pequena Empresa).
Membro do PSD, o vice-governador paulista foi admitido no primeiro escalão. Mas, formalmente, a legenda não integra o Executivo.
Um dos partidos que mais cresceram nas últimas eleições, o PSB é um tradicional aliado do PT, mas começou a ensaiar o afastamento após a sigla registrar um dos maiores crescimentos nas duas últimas eleições.
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