quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Assassino de Boboya pegou 18 anos em regime fechado

Leandro no banco dos réus



O julgamento começou por volta das 08h00, mas logo cedo já era grande a movimentação das famílias e amigos do acusado e da vítima, o que fez com que fossem distribuídas senhas para se ter acesso à plenária do Salão do Júri.

Na abertura da sessão presidida pelo Juiz Sidney Falcão, titular da Terceira Vara Criminal da Comarca de Itaituba, foi lido o processo e o parecer do Ministério Público para que os sete jurados convocados pudessem ter detalhes das investigações do crime. Na acusação atuou a promotora Juliana Palmeira, representante do Ministério Público e o advogado Moisés Aguiar, enquanto que na defesa esteve os advogados José Luiz e Josiane Loiola, ambos contratados pela família do acusado. Em primeiro momento, Leandro Coelho, o acusado, estava no salão do júri e se mostrava tranquilo.

A primeira testemunha a ser a chamada foi Rayson Costa, irmão de Boboya, que em seu depoimento disse ter sido o primeiro parente da vítima a chegar ao local do assassinato e narrou os acontecimentos que culminaram com a morte do irmão. Depois de Rayson a mãe de Rithiele, jovem apontada como pivô da discórdia entre os dois. Segundo a depoente, sua filha namorou primeiramente com Boboya, posteriormente, mesmo contra a vontade da mãe, atou uma convivência com Leandro Coelho, o que terminou por conta de desentendimento entre o casal. Com a separação, Rithiele foi mandada por sua família para morar em Manaus, de onde, através de contatos telefônicos, voltou a namorar com Boboya, começando aí a raiva de Leandro por Antonio Raydson, o que terminou em morte.
 
Outra testemunha a depor foi Ricardo, vizinho de Boboya. Segundo ele, Leandro chegou ao local do crime e o pediu para chamar Boboya, justamente no momento em que a vítima estava trancando a porta de sua casa para retornar a casa de Carmarguinho, de onde havia saído minutos antes para atender o chamado de uma amiga. O depoente disse que ainda viu Antonio Raydson estendendo a mão para cumprimentar Leandro, porém, em fração de segundos, ao virar para outro lado ouviu os disparos feitos por Leandro contra Boboya.

Depois de ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa, antes de Leandro sentar no banco dos réus, a acusação exibiu uma reportagem produzida pela imprensa local, onde Leandro fala do crime. Na entrevista dada no dia de sua prisão, Leandro disse que agiu por instinto e pode ser uma pessoa perigosa dependendo da ameaça que venha receber.
 
Durante seu depoimento, agora demonstrando grande nervosismo, o já réu confesso, reassumiu a autoria do crime afirmando que matou Boboya por sentir-se ameaçado pela vítima, entretanto, ao ser questionado pelo presidente do júri, disse que as ameaças não eram de morte. Os inúmeros questionamentos feitos pela acusação levaram o acusado se contradizer por várias vezes.

Leandro disse que naquele dia, 22 de outubro de 2013, recebeu o convite de Boboya para conversarem na residência do também profissional de imprensa “Camarguinho”, apresentador esportivo da Tv Eldorado e que estava aniversariando naquela data, mas logo no início da noite, encontrando-se enraivado com os boatos vindos pelas redes sociais, decidiu colocar o resolveu na cintura e saiu dirigindo seu veículo passando em frente a residência de Boboya, onde o encontrou e, após poucas palavras, disparou quatro tiros contra a vítima, para em seguida entrar em seu carro e fugir para uma fazenda localizada nas proximidades da comunidade Santarenzinho, de onde, com a ajuda de terceiros, chegou a um garimpo localizado no município de Oriximiná.

Ouvidas as testemunhas e acusado pela parte da manhã, a tarde foi a vez de acusação e defesa debaterem sobre as qualificadoras imputadas ao crime pelo Ministério Público. Por um lado a acusação afirmando ter sido um crime torpe e dissimulado, por sua vez a defesa transferindo a culpa do crime a ex mulher de Leandro, que utilizou-se das redes sociais para semear a discórdia entre o acusado e a vítima.

Com pequenos intervalos, o julgamento de Leandro durou nove horas com o Juiz Sidney Pomar Falcão proferindo a sentença de 18 anos de reclusão em regime fechado por volta da 17h00. A partir de então, Leandro Coelho foi conduzido de volta ao presídio pelos policiais Militares e agentes prisionais.

Vários membros da imprensa itaitubense que acompanharam o julgamento do início até o pronunciamento final do juiz, afirmaram esperar uma condenação maior, porém se disseram satisfeitos pela condenação do réu.

Para o advogado de acusação Moisés Aguiar a pena para Leandro poderia ser de pelo menos 25 anos, já que as duas qualificadores foram pesadas e o júri recusou o privilégio solicitado pela defesa. “Nosso trabalho na acusação foi feito considerando nós termos conseguido com que o júri aceitasse as qualificadores apresentadas ao crime pelo Ministério Público. Os testemunhos foram contundentes, principalmente os oculares: pessoas que estavam presentes na hora do assassinato e atestaram que Leandro chegou na casa de Boboya, pediu para que um vizinho o chamasse e em seguida efetuou os disparos a queima roupa e saiu em fuga em seu veículo.”

O advogado José Luiz disse que ainda vai reunir com seu cliente para decidir se irá pedir um novo julgamento.
 
Pela repercussão do crime na mídia e na sociedade, o juiz Sidney Falcão que havia adotado algumas medidas de segurança, avaliou que tudo ocorreu normalmente. “Graças a Deus, as duas partes tinham interesse que este julgamento ocorresse, o que contribuiu para que tudo ocorresse na normalidade.”

Condenado há 18 anos e já cumprido um ano no presídio, se tiver um bom comportamento, Leandro Coelho deverá poderá passar para o semi aberto em cinco anos.
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