segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Líder do PSDB bate boca com petista sobre pedido de impeachment de Dilma

Cássio Cunha Lima bateu boca com Lindbergh Farias

Cássio Cunha Lima (PSDB) discutiu com Lindbergh Farias (PT) após o tucano afirmar que um eventual impeachment não pode ser tratado como 'golpismo'

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), bateu boca nesta segunda-feira com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) após o tucano afirmar que a discussão sobre um eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff não pode ser tratada como “golpismo”. Cunha Lima disse que a sociedade começa a se mobilizar contra a “inércia” e “omissão” do governo, atolado em sucessivas denúncias de corrupção.

“Durante o final de semana, houve uma profusão de mensagens convocando para um ato público no próximo dia 15 de março e já defendendo o impeachment da presidente, num ambiente em que o Brasil se depara com uma grave crise ética, sem precedentes na nossa história. O que se percebe é um governo inerte, um governo absolutamente omisso diante da gravidade da situação que o país enfrenta. Ao se pronunciar a palavra impeachment, não pode haver arrepios nem sequer reações que possam ser traduzidas como golpistas”, disse o tucano. A fala causou protestos do senador petista Lindbergh Farias, que, como "cara-pintada", participou ativamente dos protestos pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor.
“Não é acusar o povo de golpista, mas tem uma minoria golpista se organizando nesse país, como fizeram com Getúlio Vargas, João Goulart. Estimuladas, sim, pelo PSDB, que questionou o processo eleitoral ao seu final", disse Lindberg. Irritado, ele criticou a comparação entre o ambiente político-institucional do governo Collor e as denúncias de corrupção na Petrobras. " Vocês estão sendo maus perdedores. Isso é golpismo. Não me venha comparar momentos que não têm nada a ver na história. Aqui, é grito de quem perdeu a eleição e está querendo mudar o resultado”, disse o petista.
“Não é esse o caminho que nós queremos trilhar”, retrucou o senador do PSDB. “Quem fala nisso [impeachment] e fala em tom cada vez mais alto é o povo brasileiro. É o povo na rua que está falando cada vez mais nisso. Não se pode falar em golpismo quando se pronuncia a palavra impeachment”, disse ele.
Insatisfação – A discussão sobre um eventual pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff tomou boa parte dos debates no Plenário do Senado nesta segunda-feira. “A insatisfação dos brasileiros é um copo que já está quase cheio. O que parecia dois meses atrás um palavrão [impeachment], hoje é tema de articulistas. Está feito na internet um apelo, uma convocação para o dia 15 de março [em prol do impeachment]”, disse o senador José Agripino (DEM-RN), para quem a escolha do ex-presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, para a Petrobras amplia ainda mais a crise do governo. "O governo colocou um homem comprometido com linhas e diretrizes do Palácio do Planalto. Qual o nível de confiança que se pode ter um governo desses?", completou Agripino.
Ex-ministro do governo Lula, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que o governo Dilma e os partidos aliados são responsáveis pelo momento político instável. “A palavra impeachment não deve causar arrepio, até porque está na Constituição. O que me causa arrepio é que está na boca do povo, está se generalizando. E, quando fica na boca do povo, não adianta querer silenciar, porque, aí sim, é golpismo”, disse. “A palavra não chegou à boca do povo insuflada pelas oposições, mas chegou à boca do povo inspirada pelos equívocos, pelos erros, pelo isolamento do governo”, completou.
Pessimismo - Pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana apontou uma grave crise de rejeição da presidente Dilma Rousseff – 44% dos entrevistados consideram o governo da petista como ruim ou péssimo, 20 pontos porcentuais a mais do que o último levantamento, em dezembro. O patamar é a pior avaliação desde 1999, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) amargava 46% de avaliações de “ruim” ou “péssimo”.

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