sexta-feira, 12 de junho de 2015

Edital de licitação de 29 portos sai no segundo semestre. 20 só no Pará


A Secretaria de Portos informou nesta quinta-feira (11) que o edital de licitação do primeiro bloco de portos deve ocorrer no segundo semestre. No primeiro bloco, serão arrendados 29 terminais já aprovados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) – nove em Santos, São Paulo, e 20 no Pará. O investimento estimado pelo Programa de Investimento em Logística para esses empreendimentos é R$ 4,7 bilhões.

“Estou com uma pressa imensa. Como a consulta no TCU demandou algum tempo, tendo em vista a análise cuidadosa do tribunal, agora estamos voltando a mobilizar toda a equipe”, disse o ministro da pasta, Edinho Araújo, após participar do Programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a EBC Serviços.

A prioridade dada aos portos de São Paulo e do Pará deve-se à fase mais adiantada em que os processos de arrendamentos estão no tribunal.“São processos que entraram no TCU em outubro de 2013. Portanto, estamos extraindo as áreas que são menos conflituosas e que já estão analisadas. Por isso, elas é que serão licitadas inicialmente”, acrescentou.

*Matéria e título alterados às 19h03 do dia 11/06/2015 para correção de informação divulgada pelo ministro Edinho Araújo. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria dos Portos, o edital de licitação será publicado no segundo semestre do ano. (ABr)

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Dilma: “Uma verdadeira revolução na logística de transporte do país.”
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Conversa Afiada publica texto do editor Alisson Matos sobre a inauguração do complexo portuário Miritituba-Barcarena

Uma nova rota de exportação foi inaugurada na última sexta-feira (25), no Pará. É parte do que a Presidenta Dilma Rousseff, presente no evento na cidade de Barcarena, chamou de “verdadeira revolução na logística de transporte do país.” Trata-se do complexo portuário Miritituba-Barcarena – da multinacional Bunge, a terceira maior exportadora do país e a primeira do Agronegócio – que desafogará o escoamento de produtos agrícolas pelos portos do Sul e Sudeste, além de aumentar a eficiência de transporte na região Norte.

São R$ 700 milhões investidos pela Bunge que resultam em uma capacidade de carregamento de até 2,5 milhões de toneladas de grãos por ano, ou 5% do que é transportado hoje pela região, a partir de outros caminhos. Pode-se chegar a 8 milhões de toneladas/ano em 2018.

Para a Presidenta, já é um passo relevante após a aprovação de um novo marco regulatório para os portos, em 2013, que deu fim as restrições ao investimento privado no setor e possibilitou a existência de terminais de uso privado com permissão para transportar  cargas de terceiros, até então  exclusividade dos portos públicos.

“A partir da aprovação da lei, os investidores privados já se comprometeram com R$ 8,1 bilhões de investimentos em 18 terminais de uso privado. Bom lembar que estão em andamento em todo o Brasil processos de autorização para outros 32 terminais de uso privado. Aqui no Pará, por exemplo, foram solicitados 12 terminais de uso privado. Esses 12 vão resultar num investimento estimado de R$ 880 milhões”, disse Dilma durante a inauguração.

Com o complexo, a expectativa de redução é de, ao menos, 20% no tempo de viagem dos produtos à Europa, além de diminuir os custos da cadeia produtiva. Os olhos se voltam, também, para a China, segundo o presidente e CEO da Bunge Brasil, Pedro Parente.

“É uma nova alternativa, é um novo paradigma para os produtores brasileiros. Nós vamos estar, ao invés de escoar a produção de Mato Grosso pelo Sudeste do país, nós vamos estar escoando pelo Norte, muito mais próximo dos portos de destino, como Europa e China. Então isso realmente é um marco importantíssimo, é uma nova alternativa, é extremamente relevante para o produtor brasileiro, para o país, mais divisas, mais exportação e, para a nossa empresa também, para a Bunge, que está sendo pioneira nesse movimento”, afirmou.

De acordo com o presidente mundial da multinacional, Soren Schroder, em entrevista à Folha, o Brasil é o único país capaz de responder ao crescimento da demanda por grãos nos próximos anos, principalmente da China.


O complexo é composto por dois terminais e uma empresa de navegação. De um lado, fica localizada a Estação de Transbordo de Miritituba, nas margens do Rio Tapajós. Do outro, o Terminal Portuário Fronteira Norte (Terfron), no Porto de Vila do Conde, em Barcarena.

Foi criada uma empresa de navegação, em parceria com o grupo Maggi, para fazer o transporte, que já conta com 50 barcaças (embarcação usada para transportar grandes quantidades de cargas) e 2 equipamentos capazes de empurrá-las.









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O gerente de operações portuárias do Terfron, João Felipe Folquening, explica as mudanças e a nova logística: “Esse terminal tem uma capacidade estática de 150 mil toneladas e uma capacidade de expedição para navios de 1.500 toneladas/hora. Também temos o recebimento hidroviário com uma capacidade de 1.500 toneladas/hora”, disse o gerente de operações portuárias do Terfron, João Felipe Folquening.

A grande novidade desse projeto é desafogar a logística rodoviária que hoje sai do Mato Grosso (maior estado produtor) até o Sul/Sudeste do país, via rodovia e caminhões, e trazer esses caminhões subindo até Itaituba pela BR-163 e fazendo o transbordo da soja e do milho para as barcaças, descendo o Rio Tapajós até Barcarena”, afirmou.

A nova rota permitirá que os grãos das maiores regiões produtoras – Mato Grosso é o maior produtor -  sigam por caminhão pela BR-163 até a estação de transbordo de Miritituba, no oeste do Pará, em uma distância de 1.100 quilômetros.

O chegar no terminal, a carga irá em barcaças que nevegarão o rio Tapajós, passarão pelo estreito de Breves e chegarão ao Terfron, em Vila do Conde, Barcarena, o que totaliza um percurso de cerca de 1.000 quilômetros, realizado em aproximadamente três dias. No Terfron, a carga será armazenada para embarque em navios graneleiros rumo ao exterior.

O primeiro navio saiu no último sábado (25) de Barcarena, em direção à Espanha.

Como prova de busca pela “revolução na logística”, a Presidenta ainda anunciou a construção de uma ponte estaiada sobre o Rio Xingu, no sudoeste do Pará, que ligará os municípios de Altamira e Anapu.

A construção irá  integrar um trecho da BR-230, a Transamazônica. Hoje, essa travessia é feita em balsas, o que, para a Presidenta, prejudica o escoamento da produção agrícola.

“Vai ser uma ponte estaiada com 700 metros de comprimento, e vai viabilizar que se escoe melhor toda a produção. Hoje é assim: do lado da estrada você para, passa por barco e chega ao outro lado. Com a ponte não vai ter interrupção, vai escoar tranquilamente”, concluiu em entrevista a emissoras de rádios do estado. 
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