sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Desmatamento cresce 35% na Amazônia, diz Imazon-50% no Pará

O desmatamento aumentou na Amazônia nos últimos dois meses. De acordo com os dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que monitora mensalmente a perda de vegetação na região, uma das causas foi a redução dos recursos para fazer a fiscalização devido à crise econômica brasileira. O estado campeão na derrubada da mata foi o Pará. Em toda a Amazônia, nos meses de agosto e setembro, foram 969 km² (área quase do tamanho da cidade de São Paulo) de área desflorestada, quase 35% a mais que no mesmo período do ano passado, quando a área total devastada foi de 643 km². Somente no Pará, ainda segundo dados do Imazon, foram 568 km² de desmatamento (maior que a cidade do Rio de Janeiro, com 557,3 km²), contra 357 km² do Amazonas e 296 km² no Mato Grosso. O instituto afirma, ainda, que há quadrilhas de madeireiros espalhadas pelo Pará, que a fiscalização não dá conta de combater.
Segundo o  coordenador geral de Fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), em Brasília (DF), Jair Schmitt,o desmatamento na Amazônia ocorre todos os dias e é um problema crônico e sistêmico, mas o Ibama tem combatido a ação junto com outros órgãos competentes. “Estamos com restrições financeiras, mas tentamos manter o esforço de fiscalização sistêmica na região e a responsabilidade do Instituto é fiscalizar as terras indígenas, unidades de conservação e terrar públicas da União. Esclarecemos que 70% do desmatamento que ocorre na Amazônia e 50% do que acontece no Pará são de competência primária dos órgãos de atuação estaduais e não do Ibama”, afirmou.
Jair Schmitt esclarece que o Ibama trabalha os dados de desmatamento na região a partir do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que, para ele são oficiais, auditados, que se vê com mais precisão de monitoramento. “Nesses dados, historicamente, o desmatamento vem reduzindo, e não são recortes temporais, então preferimos não comentar os dados do Imazon”, afirmou Schmitt. Na outra ponta, o último dado do Inpe traz que, em 2015, a Amazônia Legal apresentava 6.207 km² e o Pará 2.153 km² de desmatamento. Em 2014, foram 5.012 km² na Amazônia Legal (aumento de 24%) e 1.887 km² no Pará (aumento de 14%).
O secretário extraordinário para a coordenação do Programa Municípios Verdes (PMV), Justiniano Netto, declara que o PMV vê com preocupação os dados do Imazon, assim como os casos de violência. “Percebemos que está havendo um novo enfrentamento do desmatamento, uma retomada. Da nossa parte vamos prosseguir com as nossas estratégias, continuar sensibilizando a sociedade local, fazendo pactos, avançando no Cadastro Ambiental Rural (CAR), fortalecendo as secretarias municipais de meio ambiente, e atuando junto com os órgãos fiscalizadores para que haja a responsabilização e investigação dos responsáveis pelo desmatamento. Seguimos com o propósito do projeto, embora reconheçamos que em algumas áreas do Pará o ambiente esteja hostil”, diz Justiniano Netto.
O PMV é um programa do Governo do Pará desenvolvido em parceria com municípios, sociedade civil, iniciativa privada, Ibama e Ministério Público Federal de combate ao desmatamento e fortalecimento da produção rural sustentável lançado em março de 2011.
Thales Melo, secretário adjunto da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), explica que o Pará vem desenvolvendo uma série de ferramentas de gestão florestal e de fortalecimento de gestão em parceria com os municípios. “Já realizamos a Caravana Ambiental nos 144 municípios para fazer com que também desenvolvam a fiscalização”, disse. “Além do rastreamento com imagens de satélite e atuação em campo, o Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora 2.0) rastreia as áreas de licenciamento para não serem devastadas”.

Por Orm O Liberal

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