quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Ministro da Economia é preso sob acusação de suborno na Rússia

Observadores suspeitam que detenção seja resultado de batalha interna no Kremlin

O Comitê de Investigação da Rússia anunciou nesta terça-feira a detenção do ministro da Economia, Alexey Ulyukayev, em uma operação surpresa durante a madrugada. No cargo desde 2013, ele é suspeito de aceitar suborno para aprovar uma operação na qual a petroleira estatal Rosneft adquiriu maioria do controle da companhia energética Bashneft no mês passado. Ele teria recebido US$ 2 milhões.
Em nota, o comitê informou que Ulyukayev foi detido no âmbito da investigação por um esquema de corrupção de largas proporções. A investigação foi realizada pelo Serviço Federal de Segurança russo (FSB, sucessor da extinta KGB).
A porta-voz do Comitê de Investigação do Ministério Público russo, Svetlana Petrenko, disse à agência de notícias russa “RIA Novosti” que há suspeitas de que o ministro tenha cometido extorsão para pedir suborno a executivos da companhia Rosneft, além de ter feito ameaças.
— Uliukáyev foi flagrado com a mão na massa — disse a porta-voz.
Se for considerado culpado, Ulyukayev pode enfrentar uma pena entre oito e 15 anos de prisão. Este é o funcionário de mais alto cargo a ser preso desde o golpe fracassado de 1991. Por muitos observadores, o episódio é considerado parte de uma batalha interna entre diferentes grupos do Kremlin
Ulyukayev ocupa cargos no governo desde 2000, e chefia a pasta da Economia desde 2013. Ele é conhecido por ser parte da ala do governo que vem criticando o aumento do envolvimento do governo na Economia.
Segundo o seu porta-voz, o presidente russo, Vladimir Putin, está ciente da investigação sobre Ulyukayev há algum tempo. O chefe do Kremlin estabeleceu o combate a corrupção como prioridade em seu governo, enquanto críticos afirmam que a corrupção está espalhada pelos níveis mais altos do governo. Por isso, surgem as dúvidas se esta não se trata de uma consequência de confrontos internos no governo.
Fonte: O Globo
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