terça-feira, 4 de abril de 2017

Agricultores fecham rota da soja no Pará em ato contra áreas de proteção



Em protesto contra uma medida provisória editada pelo governo, agricultores de Novo Progresso (PA) fecharam a BR-163 no km 313, rota da soja para portos do Norte do país.
A via, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), já tinha ficado fechada em fevereiro por causa de atoleiros formados na região devido às chuvas, falta de conservação e aumento de tráfego, causando prejuízos bilionários para aos produtores rurais.
Os agricultores protestam contra a Medida Provisória 756, que foi editada para permitir que uma ferrovia ligando o Mato Grosso ao Pará, a Ferrogrão, seja construída. A via passa por áreas de conservação na região do Jamanxin (PA), e a medida retirava a proteção de áreas por onde ela vai passar.
Mas a MP enviada ao Congresso tornou protegidas outras áreas que não pertenciam a florestas ou áreas de proteção, onde agricultores já estavam fazendo plantação e pecuária, segundo Nery Prazeres, ex-prefeito de Novo Progresso.
Produtores e políticos da região estão tentando evitar que novas áreas na cidade sejam protegidas em negociações no Congresso Nacional, onde a MP está em tramitação.
De acordo com Ricardo Denadai, produtor rural da região, o protesto deverá continuar até a votação final da medida provisória -o prazo é até o final de maio.
Eram esperadas para esse ano mais de 8 milhões de toneladas de soja nos terminais portuários da região, devido aos custos cerca de 30% menores em relação ao envio para outros portos. Mas o fechamento da via pode reduzir essa quantidade.
De acordo com Denadai, os caminhoneiros vão receber alimentação durante o período de fechamento da estrada. Ele reclamou que o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), órgão de proteção áreas ambientais, já está fazendo operações para retirar agricultores de novas áreas protegidas após a MP antes mesmo da decisão do Congresso ser definitiva.
"Tem gente plantando há 30 anos nessas áreas. Não queremos prejudicar a logística do país. Mas não pode prejudicar as pessoas", afirmou Denadai.

(Folhapress)
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