segunda-feira, 22 de maio de 2017

Com Carne Fraca e delação, JBS perde R$ 16 bilhões em valor de mercado em 2 meses

Ação da empresa despencou mais de 30% nesta segunda; valor de mercado foi de R$ 32,6 bilhões para R$ 16,3 bilhões.

Emendando duas grandes crises - operação Carne Fraca e as delações de Joesley e Wesley Batista -, a JBS já perdeu R$ 16,3 bilhões em valor de mercado em cerca de dois meses. Da véspera da operação da Polícia Federal, em 16 de março, até o fechamento do mercado nesta segunda-feira (22), o valor de mercado da empresa passou de R$ 32,6 bilhões para R$ 16,3 bilhões. Os dados são da Economatica.
Nesta segunda, a ação da JBS liderou as quedas na Bovespa, caindo 31,34%, a R$ 5,98. Desde a eclosão da crise política envolvendo as delações dos dirigentes da empresa e o presidente da República, Michel Temer, a empresa já perdeu R$ 9,6 bilhões em valor de mercado, ainda de acordo com dados da Economatica. No ano, as perdas acumuladas da empresa batem R$ 14,7 bilhões.
Crise política

O presidente da República foi alvo de delação do dono da JBS, Joesley Batista, dando origem à maior crise política já enfrentada pelo governo Temer (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters;

A queda dos papéis da JBS reflete uma série de notícias envolvendo a empresa, como o impasse entre as negociações do acordo de leniência. O impasse teve início na última quarta-feira (17), repercutindo a notícia publicada no jornal O Globo de que o dono da empresa JBS gravou o presidente da república, Michel Temer, dando aval para comprar silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Além disso, as delações dos executivos da empresa incluíam uma série de irregularidades.
A empresa recusou na sexta-feira a proposta do Ministério Público que previa uma multa de R$ 11 bilhões. As negociações para fechar o acordo foram retomadas nesta semana e o valor da multa ainda é incerto, o que preocupa o mercado, segundo a Reuters.
Um analista do mercado financeiro disse à agência que o cenário também dificulta a realização de uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da subsidiária JBS Foods International nos Estados Unidos, o que pressiona para baixo o valor do papel da empresa. Na quinta-feira, a empresa reiterou que trabalhos para o IPO prosseguiam.
Nesta segunda-feira, a agência de risco Moody's cortou a nota de crédito da empresa e de sua subsidiária nos Estados Unidos. A nota da JBS foi reduzida para 'Ba3' ante 'Ba2', enquanto a dívida garantida da JBS USA teve a nota cortada para 'Ba2' ante 'Ba1. Com a avaliação pior, a empresa deve pagar taxas maiores para contratar empréstimos.
Antes disso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) confirmou na noite de sexta-feira que abriu cinco processos administrativos contra a empresa na quinta e sexta-feira passadas para investigar supostas irregularidades como o uso de informações privilegiadas em negociações de dólar futuro e ações.
A ação da JBS é a 20ª na lista das maiores participações do Ibovespa, com peso de 1,3% na composição do índice.
Carne Fraca

A operação Carne Fraca foi deflagrada pela Polícia Federal em março para investigar irregularidades em 21 frigoríficos brasileiros, sob suspeira de pagamento de propina a fiscais sanitários do Ministério da Agricultura e a venda carne de má qualidade. A JBS, que é dona das marcas Friboi e Seara, teve um funcionário da unidade de Lapa (PR) citado na investigação. A empresa chegou a suspender o abate por três dias em 33 de suas 36 unidades de produção de bovinos.
Logo em seguida, a empresa retomou a produção nesses locais, porém com uma redução de 35%. Na mesma semana, anunciou férias coletivas em 10 de suas 36 unidades de bovinos. “A medida é necessária em virtude dos embargos temporários impostos à carne brasileira pelos principais países importadores, assim como pela retração nas vendas de carne bovina no mercado interno nos últimos dez dias”, disse à época a JBS em comunicado.

Os analistas de mercado que acompanham o setor ainda têm dúvidas sobre como o dano à imagem da carne brasileira poderá impactar no preço do produto e na margem de lucro das empresas.

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