quinta-feira, 6 de julho de 2017

PRF vai reduzir patrulhamento, interromper resgates aéreos e fechar postos Polícia Rodoviária Federal alega falta de verba, no entanto, Ministério do Planejamento rebate e diz que ainda há mais de R$ 50 milhões disponíveis para o órgão

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) coloca em prática, a partir de hoje, um plano de contingenciamento que envolve a redução do patrulhamento, o fim de resgates aéreos e o fechamento de unidades administrativas. A alegação é de falta de recursos. A medida ocorre após um corte de 45% no orçamento da corporação, feito pelo Ministério da Justiça. De acordo com dados da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (Fenaprf), a PRF perdeu quase R$ 200 milhões do montante que estava previsto.

Entre os serviços suspensos estão as escoltas de cargas superdimensionadas e em rodovias federais. De acordo com policiais federais ouvidos pelo Correio que pediram anonimato, no DF, a ordem é que o patrulhamento das rodovias fique restrito à área dos postos de fiscalização. A finalidade, conforme alegam, é economizar combustível

Um agente que atua no DF contou que, apesar do corte, problemas de estrutura já prejudicam a fiscalização há vários meses. “No posto em que eu atuo, não se montam mais blitzes fixas. Esse trabalho é fundamental para impedir a entrada de drogas e flagrar veículos roubados e motoristas alcoolizados. O principal trabalho é a ronda, que agora será prejudicada com o corte”, afirmou. De acordo com a PRF, a redução no número de viaturas que circulam durante o dia tem como finalidade se “adaptar à nova realidade orçamentária”.

De acordo com o diretor da Fenaprf, Fábio Jardim, o número de agentes que atuam na corporação corresponde ao mesmo efetivo de 2008, embora a quantidade de veículos em circulação tenha aumentado. “As dificuldades já existem, tanto no sentido operacional quanto de efetivo. Tivemos um corte de 50% no orçamento. A PRF tem 10 mil policiais para atuar em todo o Brasil. Mesma quantidade que se tinha em 2008”, ressaltou. “Nosso receio é de que os cortes prejudiquem a fiscalização e façam aumentar o número de acidentes, crimes e mortes nas estradas.”

Um levantamento do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) aponta que, nos últimos nove anos, a quantidade de veículos em circulação quase dobrou. Em 2007, eram 50 milhões nas ruas do país. Em 2016, a frota atingiu 91 milhões nas 27 unidades da Federação. Esses números fazem com que o Brasil tenha a quarta maior rede rodoviária do mundo.

Segundo o plano de redução de gastos apresentado pela corporação, o policiamento fica suspenso em todas as rodovias federais. A prioridade é atender acidentes graves e inibir crimes nas vias do país.


O Ministério da Justiça não quis se pronunciar sobre o assunto. Em nota, o Ministério do Planejamento afirmou que “o limite fixado pelo Ministério da Justiça para a PRF para despesa de custeio da instituição, sem considerar a despesa de pessoal, este ano é de R$ 257,8 milhões, dos quais R$ 207,1 milhões já foram empenhados, restando um saldo de R$ 50,7 milhões”. Ainda segundo a pasta, o orçamento aprovado pelo Congresso para a PRF é de R$ 460,6 milhões para este ano, e qualquer aumento de verba depende de espaço fiscal.
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