Ontem,
no ginásio da Associação Atlética Cearense, foi dado o ponta-pé inicial nas
discussões com a sociedade dos municípios da região do Tapajós acerca da construção
de grandes empreendimentos na região, sobretudo dos portos de Miritituba e das
hidrelétrica no Rio Tapajós,
Estiveram
compondo a mesa de trabalho, o presidente da CDL, Davi Menezes, o presidente da
Câmara Municipal de Itaituba, o presidente da Associação Empresarial de
Itaituba, Fabrício Schuber, o vereador Wescley Tomaz, os deputados estaduais Antônio
Rocha e Josefina Carmo, o deputado federal José Priante, o promotor público
Maurim Vergolino, o juiz de direito Cleitoney Passos, o presidente da FAMEP,
Helder Barbalho, o secretário executivo do consórcio, Eraldo Pimenta e os
prefeitos Raulien Queiroz, de Jacareacanga, presidente do Consórcio Tapajós, a
prefeita Eliene Nunes, de Itaituba, vice-presidente do Consórcio, Osvaldo
Ramonholi, prefeito de Novo Progresso, Danilo Miranda, prefeito de Trairão e
Pablo Genuíno, prefeito de Rurópolis.
O
evento foi coordenado pela CDL, Associação Empresarial de Itaituba, FAMEP e
pelo consórcio dos seis município diretamente afetados pelas barragens, que são
Itaituba, Novo Progresso, Trairão, Rurópolis, Jacareacanga e Aveiro.
Um
grande número de pessoas quase lotou as cadeiras colocadas em toda a quadra de
jogo da Associação Atlética Cearense, correspondendo às expectativas dos
organizadores e demonstrando que a sociedade está ligada e interessada em
discutir essas questões.
Como
o número de oradores era muito grande, foi estabelecido o tempo de três minutos
para cada um expor suas ideias. Alguns se excederam, mas, ninguém chegou a
abusar demais do tempo.
Secretários
municipais e vereadores de quase todos os municípios da região do Tapajós
estiverem presentes.
De
Santarém, vieram os vereadores Dayan Serique e Rogério Cebulisky.
A
tônica dos discursos foi focada nos investimentos que estão acontecendo e que
estão por vir para a região, com os oradores se concentrando na afirmação da
necessidade de estarem os municípios envolvidos, todos juntos, para que não
sejam apenas explorados os recursos naturais da região do Tapajós, em troca
somente dos grande impactos que ocorrerão, sobretudo no que tange às questões
sociais.
A
preocupação com o aumento desordenado da população foi manifestada por quase
todos os prefeitos que fazem parte do Consórcio. Todos eles ressaltaram a
necessidade de lutar unidos para que as compensações para esses municípios
sejam definidas antes do início das obras das hidrelétricas.
Não
repetir os erros ocorridos com Belo Monte, pois Altamira passa por um momento
ímpar em sua história, com grande aumento populacional e de circulação de
dinheiro, mas, a um preço muito elevado, pois o município não estava preparado
para esse momento. Essa foi outra grande preocupação externada por vários
oradores.
O
promotor Maurim Vergolino disse que o Ministério Pública estará atento para
evitar que a comunidade fique apenas com os pontos negativos dos
empreendimentos. O Ministério Público vai se fazer presente, disse ele,
afirmando que o MP vai se opor a esses empreendimentos, se for preciso.
Ele
afirmou ainda, que na próxima semana vai haver uma notícia a respeito dos
portos de Miritituba, envolvendo o MP, tendo deixado em suspende, se será notícia
positiva ou negativa.
O
presidente da CDL, Davi Menezes, fez a apresentação de um trabalho a respeito
do que existe de serviços públicos nas áreas da saúde, educação, serviços
sociais, agricultura e outros, para mostrar que o município de Itaituba não
está estruturado para receber um número muito grande de pessoas que deverão vir
para cá com esses empreendimentos, principalmente as hidrelétricas.
Ele
disse que, embora a apresentação fosse a respeito de Itaituba, porque ele não
tinha dados de outros municípios do Consórcio, o que estava sendo apresentando
valia também para os outros, pois os problemas são mais ou menos equivalentes.
No
final houve a participação da plateia, que pôde fazer perguntas e colocações a
respeito do que foi falado no encontro.
O
ponto negativo foi o atraso de duas horas para o início do seminário, que
estava marcado para começar às sete da noite, mas, só foi iniciado às nove.
Por
causa disso, perto do final, cerca de 30% das pessoas já tinham se retirado.
Isso, por volta de onze horas da noite.
Excetuando
isso, o seminário foi uma iniciativa louvável e necessária, pois embora esse
assunto seja tratado com frequência pela imprensa, no meio da sociedade ele não
tinha sido ainda discutido de forma coletiva.
As
pessoas puderam tomar conhecimento mais aprofundado a respeito de um assunto da
maior relevância para todo esta região, e para o Brasil, pois tanto os portos
quanto as hidrelétricas interessam ao País como um todo, porque são duas
necessidades urgentes.
O
que não pode, e isso foi bem enfatizado, é o governo federal, que fica lá no
Centro Oeste, preocupar-se somente preocupar-se em facilitar a construção de
portos para o escoamento da produção agrícola de Mato Grosso, bem como com a
construção de hidrelétricas no Tapajós para servir às indústrias do Sul e do
Sudeste do País, sem que haja as compensações necessárias para minorar os
impactos sociais, pois quanto aos impactos ambientais o governo está por demais
preocupado, por causa das cobranças que recebe.
Espera-se,
a partir de agora, uma participação mais ampla da sociedade de todos esses
municípios que fazem parte da região do Tapajós, pois trata-se de um assunto
que diz respeito a todos.
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