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terça-feira, 22 de julho de 2014

Madrasta e assistente social se contradizem sobre morte de Bernardo


Fantástico mostra depoimentos à polícia das duas acusadas de matar o menino de 11 anos no Rio Grande do Sul e depois enterrar o corpo dele.

Fantástico mostra, com exclusividade, os depoimentos à polícia das duas acusadas de matar o menino Bernardo, de 11 anos, e depois enterrar o corpo dele. Aconteceu em abril, no interior do Rio Grande do Sul.
O que disse a madrasta, uma das acusadas? E qual foi a participação de uma amiga dela? Veja as respostas na reportagem de Jonas Campos e Fábio Almeida.
Graciele Ugulini, madrasta de Bernardo: “Nunca tive intenção de fazer uma coisa dessas. De maneira nenhuma”, diz.

Amiga dela, Edelvânia Wirganovicz: “A vida dela era um inferno com o guri junto. Se ela não desse um fim nele agora, quando ele fizesse 18 anos, ele ia destruir com tudo que eles tinham”, revela.

A assistente social confessa que ela e Graciele jogaram soda cáustica no menino de 11 anos e depois enterram o corpo.

Edelvânia Wirganovicz: Ela disse que tinha que ter um produto para dissolver a pele rápido e não dar cheiro. Aí, colocamos soda. Ela colocou a soda, eu coloquei as pedras, colocamos as pedras. E cobrimos com as terra.
Policial: E tem certeza que ele já estava morto?
Edelvânia Wirganovicz: Acho que sim.

Até agora, só se conheciam fotos de Edelvânia, de 40 anos, e Graciele, de 32.

Os vídeos, com os depoimentos delas à polícia, foram obtidos esta semana pelo Fantástico. Revelam momentos decisivos do caso e as versões contraditórias das duas para a morte de Bernardo, três meses atrás.

No dia 4 de abril, as câmeras de um posto de combustíveis em Frederico Westphalen, no interior gaúcho, mostram Bernardo, Edelvânia e Graciele entrando em um carro. Cerca de duas horas depois, as duas voltam sem o menino.

No dia 14 de abril, a polícia interroga Edelvânia, que confessa, e mostra onde o corpo foi enterrado, dez dias antes. Segundo a assistente social, a amiga Graciele tinha um plano para matar o menino: “Eu tenho tudo em mente, faz tempo que eu venho planejando. Disse: ‘Ó, se tu vai ter que fazer uma coisa, que faça bem feito’", conta Edelvânia.
Edelvânia diz que, primeiro, Graciele deu calmantes para o enteado: “Era para ele deitar e dormir. Mas ele não... Ele foi tão forte e resistente que ele não dormiu. Ele foi mais forte que os comprimidinhos”, revelou.

Ela afirma que o lugar onde o corpo seria enterrado já tinha sido escolhido e que Graciele enganou Bernardo.

Edelvânia: Ela disse que ia levar ele numa benzedeira. Chegando lá, tinha que fazer um procedimento.
Policial: Ela disse para ele?
Edelvânia: Hã, hã. Tinha que dar um piquezinho na veia.

Edelvânia descreve como o menino recebeu uma injeção letal.

Edelvânia: Pediu pra ele deitar. Ele deitou.
Policial: Alegando o quê?
Edelvânia: Deita e fecha o olhinho que eu vou fazer a aplicaçãozinha, aquela.
Policial: E aí, ele?
Edelvânia: Foi apagando.

Segundo a perícia, Bernardo já estava morto quando foi enterrado.

Edelvânia Wirganovicz, a amiga de Graciele, está em uma penitenciária feminina em Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre. É o mesmo presídio onde está a madrasta de Bernardo. Em depoimento à polícia, Edelvânia disse que participou do assassinato porque iria receber muito dinheiro.

Edelvânia: Ela chegou me oferecendo montes de dinheiro. Acabei sendo fraca. Eu não ia matar ninguém com faca. Eu ia só cavoucar e enterrar. Aí onde foi a minha besteira.
Policial: Quanto que ela te levou de dinheiro?
Edelvânia: R$ 6 mil.

Edelvânia conta que Graciele prometeu dar pelo menos R$ 20 mil, ao todo.

Quanto ao médico Leandro Boldrini, que é o marido de Graciele e pai de Bernardo: “Ela disse que o pai não sabia e que certamente, futuramente, ele ia dar graças também se o guri sumisse. Que ia se livrar do incômodo. Que seria um incômodo para eles”, revelou Edelvânia.

De repente, Edelvânia se surpreende com os gritos da população, do lado de fora da delegacia: “Justiça, justiça, justiça, justiça”.

Nesse momento, Leandro e Graciele também estão presos, na mesma delegacia. Oito dias depois, a madrasta de Bernardo prestou um depoimento de quase duas horas.

Alega que não teve intenção de matar o enteado. “O guri começou a agitar, agitar, e incomodar. Eu peguei alguns remédios que eu tinha. Tinha os remédios dele. Meus, que eu tomava. Os calmantes e remédio para dormir”, conta Graciele.

Graciele diz que não aplicou nenhuma injeção em Bernardo e que o enteado morreu dentro do carro, na frente dela e da amiga Edelvânia.

“De repente, vi que ele começou a babar. Chamei, sacudi ele, nada. Comentei ainda com a Edi: ‘Eu acho que dei muito remédio para esse guri’. Na verdade, não tinha mais pulso, já estava morto. Sou enfermeira. Eu sei, eu conheço”, diz Graciele.

E por que ela não procurou imediatamente a polícia ou foi a um hospital?
“Pensei: ‘a gente vai ter que dar um jeito nesse corpo. Tem que esconder esse guri em algum lugar. Fazer alguma coisa. Quando chegar em casa eu invento qualquer coisa’. Na hora, foi a única saída que eu achei. Ela me levou para esse lugar. Não sei onde é. E lá, a gente enterrou”, afirma Graciele.

Graciele nega ter dado dinheiro para Edelvânia. E diz que não contou para o marido que Bernardo tinha morrido.

“No caminho, vim pensando: ‘o que que vou dizer? O que vou dizer pro pai dele?’. Aí, eu resolvi falar que tinha ido dormir no colega. Não queria ter feito nada disso. Sei que eu deveria ter pelo menos pedido ajuda para alguém. Mas eu estava tão desesperada, tão desesperada que eu só queria sumir com o corpo. Mas eu não fiz por querer, eu nunca quis. Não era essa a intenção, não era.”, diz Graciele.

“Ela tenta justificar que foi um erro quando as circunstâncias demonstram que não foi. Ela fez um teatro, ela armou um teatro e ela não me convenceu”, diz Marlon Adriano Balbon Taborda, advogado da avó materna de Bernardo.

No vídeo acima, você vê são imagens inéditas e recentes de Leandro Boldrini, que continua preso, acusado de ser o mentor do assassinato do filho.

“Vejo ele como articulador de todas as condutas. Inclusive no que se refere: ‘façam, mas eu não posso aparecer’”, analisa o advogado da avó materna de Bernardo.

“A acusação de que ele seja o mentor intelectual não encontra amparo nem na versão dada por Edelvânia. Não encontra amparo na versão dada pela Graciele. Não há nada no inquérito policial que confirme essa possibilidade”, diz Jader Marques, advogado de Leandro.

Também procuramos os advogados de Edelvânia e de Graciele. Nenhum quis gravar entrevista nem comentar o teor desta reportagem.
“A saudade do Bernardo é grande, o vazio é grande, no coração, na cabeça”, diz a avó materna de Bernardo, Jussara Uglione.
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