terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Vereador preso suspeito de abusar sexualmente de adolescentes é indiciado no ECA

Jadson Martins chegando à delegacia de Apui

Autor da divulgação também poderá ser enquadrado na Lei

O vereador Jadson Martins de Oliveira, preso na tarde de quinta feira (20) ao comparecer à delegacia de Apuí, interior do Amazonas, para prestar depoimento sobre vídeos em que ele aparece fazendo sexo com adolescentes, está em uma cela separada dos demais presos, mas sem privilégios, segundo o delegado Francisco Rocha. O parlamentar foi indiciado no Artigo 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), após o inquérito da Polícia Civil ter sido fechado na quinta feira (27). A polícia ainda investiga quem são os responsáveis pela divulgação das imagens.
Segundo Rocha, o vereador cumpri os mesmos horários dos outros presos para visitas e recebe a mesma alimentação. "Estamos cumprindo a decisão judicial que prevê que ele fique em uma cela separada da dos outros presos, porém, não há qualquer privilégio. Os horários de visita, tanto dos advogados quanto de familiares, são os mesmos que os outros detidos. Ele terá de cumprir tudo como todo mundo", disse o delegado.
O horário do depoimento de Jadson Martins não havia sido divulgado por medo de represálias, devido à grande repercussão do caso na cidade. No entanto, de acordo com o delegado, não foi registrado qualquer incidente ou tumulto na delegacia durante a apresentação do suspeito. "Penso que a população está satisfeita com o trabalho que está sendo feito pela polícia e pela CPI, que apura os fatos. Tanto na chegada do vereador quanto durante o depoimento não tivemos nenhum problema", disse Rocha.
Jadson Martins já havia sido afastado da Câmara Municipal de Apuí na segunda feira (17), quando foi aberta Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigá-lo. O vereador também foi afastado do partido ao qual era filiado (PSB), desde o dia 18.
Divulgação dos vídeos - A polícia investiga também o responsável pela divulgação dos vídeos em Apuí. De acordo com Francisco Rocha, um segundo procedimento será instaurado para apurar o caso. Na primeira quinzena deste mês, os vídeos  gravados pelo vereador Jadson Martins, foram divulgados em Apuí e, em poucos dias, as imagens tinham sido compartilhadas entre a população da cidade por meio das redes sociais.
A defesa do parlamentar afirma que o cartão de memória do celular, que continha as imagens, foi roubado. "Como provavelmente há adolescentes envolvidos na divulgação das imagens, o que também é crime, então será instaurado um outro tipo de procedimento e não um inquérito", revelou.
O Artigo 240 do ECA diz que incorre em crime quem produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente, prevendo pena de reclusão de quatro a oito anos, e multa, com aumento na pena de um terço se o agente que comete o crime estiver em um cargo ou função pública.
Entenda o caso - O vereador do município de Apuí é suspeito de aliciar menores de idade. As investigações iniciaram após a divulgação de vídeos em que ele aparece supostamente gravando cenas de sexo explícito com duas adolescentes. As imagens se espalharam na cidade. Uma das vítimas filmadas é sobrinha do vereador do município Dirlan Gonçalves (PROS). O parlamentar entrou com pedido de cassação do colega. Segundo a polícia, as vítimas têm 15 e 16 anos.
Em entrevista, o titular da delegacia de Apuí, Francisco Rocha, contou que familiares de uma das vítimas formalizaram a denúncia na última sexta-feira (14). "A família chegou à delegacia com dois vídeos pornográficos do parlamentar com duas adolescentes. Já ouvimos as duas meninas e comprovamos que são menores de idade - uma de 15 e outra de 16 anos", informou.
O delegado ressaltou ainda que uma terceira adolescente, de 16 anos, se apresentou à delegacia afirmando também ter sido vítima do vereador.
Os vídeos que chegaram à polícia foram encaminhados a dois peritos do município para avaliar a veracidade das imagens. Foi comprovado que as imagens eram verídicas, sem manipulação ou edição. Nas imagens investigadas, as jovens pedem para que o homem pare de filmar, mas ele mantém a câmera ligada. Em determinado momento, o rosto do suspeito é filmado beijando uma das adolescentes.
Fonte: G1/ Amazonas
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