segunda-feira, 27 de junho de 2016

Messi se cansou de ser crucificado. “A Seleção Argentina acabou para mim.” Abalado pelas críticas por perder quatro finais, o melhor do mundo desiste de defender seu país. Prefere jogar só no Barcelona. Neymar pode tomar o mesmo caminho…

Foram três passos que chocaram o mundo. Pouca distância da bola para garantir que ela não subisse demais. Deu os passos sabendo que no gol estava Bravo, seu companheiro de Barcelona. Mas goleiro e capitão do Chile. Sabia de sua preferência pelo canto direito. Resolveu mudar, cobrar no esquerdo, alto.
Mas o nervosismo contagiou o cinco vezes melhor do mundo. O peso de ter 28 títulos na carreira. Todos pelo Barcelona. Com a Argentina só com a Olimpíada. Mas enfrentando jogadores até 23 anos. Como profissional, nenhum. Até a decisão da Copa América Centenário, havia perdido três finais: a Copa América de 2007 para o Brasil, a Copa do Mundo de 2014 para a Alemanha. E a Copa América de 2015 para o mesmo Chile.
Se fosse autista como garantem muitos, e vivesse no seu mundo paralelo, não se deixaria afetar pelos nervos. Pela responsabilidade de dar uma conquista à Argentina depois de 23 anos. Ter virado o símbolo do jejum de um país. Toda hora submetido à comparação com Maradona.
Acabou vencido pela pressão, pela cobrança de 43 milhões de compatriotas, representados por cerca de 50 mil que não paravam de cantar no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
Os três passos não impediram que o chute fosse forte demais, alto, descontrolado. Enquanto Bravo se esticava no canto direito, a bola subia, por cima do travessão, do lado esquerdo do gol.
Imediatamente Lionel Andrés Messi puxou a camisa com raiva, nervoso. Colocou as mãos no rosto. Era apenas a primeira cobrança da decisão de pênaltis, mas tinha a certeira premonição. Se a Argentina perdesse mais esse título, o quarto dele nas finais, seu mundo cairia.

Ao final, das cobranças, 4 a 2 para o Chile. Bicampeão da América. A Argentina pela segunda vez seguida, vice campeã do continente.
Portais, jornais e tevês de todo mundo estampam as lágrimas de Messi. Elas resumiam sua tristeza, sua agonia, sua frustração. Os 28 títulos que conquistou com o Barcelona perderam o significado. Assim como as cinco Bolas de Ouro, como melhor melhor do mundo, perderam o sentido.
Assim como fez nas outras três finais que perdeu, tratou de tirar a medalha de vice do peito. Ele queria e precisava mais do que todos os jogadores envolvidos na decisão da Copa América Centenário.
Messi escolheu não jogar a Olimpíada do Brasil.
Só para dar ganhar o torneio nos Estados Unidos com a Argentina.
Era a obrigação que se impôs.
Com a derrota, veio o choro de quem tinha certeza. Hoje ninguém comentaria com a mesma ênfase do gol perdido por Higuain aos 20 minutos do primeiro tempo, cara a cara, sozinho com Bravo. Chutou para fora como já havia feito na decisão da Copa do Mundo contra a Alemanha, e também contra o mesmo Chile, no ano passado.
Ele também sabia. Quem se lembra que Biglia também desperdiçou sua cobrança, facilitando a defesa de Bravo? Ninguém. Absolutamente ninguém.
A seleção argentina vive um jejum de 23 anos. Neste período, foram sete vice-campeonatos. Messi acumula quatro: três na Copa América (2007, 2015 e 2016) e uma na Copa do Mundo de 2014, contra Alemanha.
É de Messi, o melhor do mundo por cinco vezes, que todos cobrariam.
Por isso, a decisão chocante.
Chega de tanto sofrimento!
Chega de Seleção Argentina para Lionel!
"Esse ambiente não é para mim", desabafou.
Ele fez uma Copa América excelente. Chegou nos Estados Unidos com fissura na costela. Se recuperou. Estava focado para ser campeão. Não quis cortar a barba. Treinou forte, nem parecia que estava em final de temporada. Fazia questão de mostrar sua importância na história do futebol argentino na Seleção.
Calar a boca de quem diz que ele só é Lionel Messi no Barcelona por ter excelentes companheiros em todas as posições. É um excepcional jogador e que mesmo tendo companheiros medianos, iria se superar desta vez.
Com o Brasil implodido, Uruguai envelhecido, o adversário seria o melhor time da América do Sul. O de melhor conjunto. Time de grande intensidade, de recomposição, preenchimento dos espaços, triangulações. Um pedado do grande futebol europeu nas Cordilheiras dos Andes: o Chile.
O jogo foi muito disputado. Duas expulsões, discussões. Diaz e Rojo. Héber Roberto Lopes teve uma arbitragem confusa. Muita conversa, sorrisos, tapa na cabeça dos jogadores. Desagradou os dois lados. Ao final dos 90 minutos 0 a 0. E mais 30 minutos de prorrogação tensa, medrosa. Até que veio a cruel decisão por pênaltis.
A análise do jogo feita por alguém neutro. E muito preocupado. Tite.
"As duas euqipes estavam no 4-1-4-1, com dois jogadores abertos pelo lado, com um pivô na frente. Com três centrais e dois de lado. Nesse aspecto tático, não houve uma diferença muito grande. Com as expulsões, outras situações aconteceram. Teve um jogador extraordinário, o Messi, em uma jogada individual decide. Mas a marcação do Chile foi muito boa."
Messi realmente acabou encaixotado pela marcação de Juan Antonio Pizzi. O treinador argentino que comanda o Chile foi inteligente. E repetiu o que tão bem havia feito seu compatriota Jorge Sampaoli, na conquista chilena na Copa América de 2015. Vidal ficava apenas mais perto. Mas a marcação de Messi era setorizada. Onde ele caísse, não escaparia da superlotação de chilenos nas intermediárias. E assim foi.

O camisa 10 argentino outra vez urrou de solidão. Desde menino ele está acostumado a ter a companhia de grandes jogadores no Barcelona. A atual safra de compatriotas é limitada. Insuficiente para se impor contra adversários muito bem montados. Como o Chile, melhor equipe da América do Sul.
Com a derrota nos pênaltis, a frustração explodiu. Os fracassos que se arrastam desde 2006, quando foi mero reserva na Alemanha. À sequência: Copa América 2007, Copa do Mundo de 2010, Copas América de 2011, 2015 e a de 2016. A cobrança do povo argentino.
A raiva sempre veio na direção de Messi. Os rótulos, fortes a cada fracasso do time. Pipoqueiro, desinteressado, fracassado. Por isso ele não suportou mais a derrota de ontem nos Estados Unidos.
Veio a declaração chocante nesta madrugada.
"Para mim acabou a Seleção Argentina. É para o bem de todos. De mim e de todos."
Os portais do mundo todo estampam a decisão.
"É incrível, mas não dá. Não passamos outra vez nos pênaltis. É a terceira final seguida. Nós buscamos, tentamos. É difícil, o momento é duro para qualquer análise. No vestiário pensei que acabou para mim a seleção, não é para mim. É o que sinto agora, é uma tristeza grande que volto a sentir.
"Foram quatro finais, infelizmente não consegui. Era o que mais desejava. É para o bem de todos. Por mim e por todos. Muitos desejam isso. Não se conformam com chegar a final, nós também não nos conformamos. Perdemos outra vez nos pênaltis. Acabou para mim a Seleção."
Messi tem 29 anos. A Copa do Mundo é daqui a dois anos.
Os argentinos que o criticavam estão apavorados.
 
Neymar sobre Messi
Conseguiram fazer com que o melhor do mundo desistisse da Seleção.
Não quer mais sofrer e fazer sofrer sua família, seus amigos.
Cansou de ser o 'fracassado'.
E quer seguir ganhando títulos pelo Barcelona.
A derrota na final da Copa Centenário parece ser bem maior.
Ver o bicampeonato chileno é o de menos.
É inconcebível a Argentina perder Lionel Messi.
Ele cansou de ser o bode expiatório das derrotas uma geração mediana.
Se seus compatriotas preferiam ter saudade de Maradona a apoiá-lo.
Podem se contentar.
Lionel Messi se cansou.
Não quer mais sofrer pela Argentina.
Escolhe o Barcelona, onde realmente é feliz.
Tite que abra o olho.
Este pode ser o caminho de Neymar.
É evidente.
Ele detesta ser cobrado pelas derrotas da Seleção.
Se sente muito mais feliz e protegido no Barcelona.
No Brasil não há parceiros com seu potencial.
Por ser o melhor é o mais pressionado nos fracassos.
O que leva como ofensa por ser mimado, egocêntrico, milionário.

Tem cada vez menos prazer ao vestir a camisa verde e amarela...
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