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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Governador Simão Jatene se irrita ao defender o filho no facebook.

Ontem (20), o governador Simão Jatene publicou, em sua página no Facebook, um vídeo sobre a prisão do seu filho Beto Jatene, ocorrida na última sexta-feira (16). Logo no início do vídeo, o governador diz que vai fazer “esclarecimentos”. Mas não os faz. Jatene tenta, na verdade, tirar o foco das supostas irregularidades cometidas pelo seu filho e ataca quem apenas noticiou o fato.
Nessa tentativa, o governador acusa o Grupo RBA de agir de forma errada no episódio da prisão do seu filho. É importante esclarecer que os veículos do Grupo RBA não fizeram nada além de noticiar os fatos. O Grupo RBA não investigou o esquema que desviou mais de R$ 65 milhões dos cofres públicos e no qual Beto Jatene é citado como um dos envolvidos. A Polícia Federal fez isso. O Grupo RBA não mandou prender o filho do governador. A Justiça fez isso. O Grupo RBA não fez dois depósitos “de recursos de origem ilícita” (conforme diz o documento policial, lido pelo próprio Jatene em seu vídeo) na conta da empresa de Beto. Outros acusados no crime fizeram isso.
Outro ponto digno de destaque é que o Grupo RBA não foi o único a noticiar os supostos crimes de Beto Jatene. O fato foi amplamente divulgado em todo o Brasil. As revistas Veja e Época noticiaram a prisão do filho do governador, assim como a Rede Globo e a TV Liberal e os jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo.
Em vez de atacar quem apenas fez jornalismo - divulgando um fato inegavelmente relevante, como a prisão do filho de um governador de Estado -, Jatene deveria dar uma satisfação ao povo paraense, sobre como seu filho foi parar no olho de um esquema tão sujo. Poderia, também, explicar ao povo que o elegeu como ele - o próprio Jatene - posterga por anos um processo, no qual é réu e que corre contra si no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, sobre a acusação do Ministério Público de ter recebido propina de R$ 16 milhões no chamado Caso Cerpasa.
E vale ressaltar que só esse esquema já causou - em valores atualizados - um rombo de mais de R$ 100 milhões aos cofres do Pará. Explicar tudo isso, porém, seria mais complicado do que tentar desviar o foco das duras acusações que ele e seu filho sofrem da Justiça, atacando um veículo de comunicação que nada fez além de cumprir seu papel de informar a sociedade. O caminho escolhido pelo governador, com certeza, não é o melhor para esclarecer os fatos.

(Editorial Diário do Pará)
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