terça-feira, 23 de maio de 2017

2º dia de julgamento: empresário matou advogado e enterrou corpo em poço

Albenor Sousa alega ter agido em legítima defesa na morte de Dinho. Caso ocorrido em Itaituba
Iniciado ontem, 22, em Belém, sob a presidência da juíza Ângela Tuma, o julgamento do empresário Albenor Moura de Sousa prossegue nesta terça-feira.
Albenor é réu confesso do assassinato de Raimundo Messias Oliveira de Sousa, o Dinho, advogado e sócio da cooperativa de mineração Ouro Roxo, em Jacareacanga, no oeste do Pará.
Dinho foi morto com um tiro na cabeça em setembro de 2003, na cidade Itaituba.
Também é réu no processo o ex-cabo do Exército, Luiz Miguel Rodrigues Lobo, que fazia cobranças para comerciantes da região. Ele responde por participação no crime de homicídio e ocultação de cadáver.
Em razão do adiantado da hora a juíza suspendeu o júri após depoimentos dos informantes e de interrogar os réus, passando para o segundo dia a fase dos debates, que poderá durar até nove horas.
Os jurados foram encaminhados para hotel, acompanhados de oficiais de justiça, para resguardar a incomunicabilidade do Conselho de Sentença.
DÍVIDA DE 1 MILHÃO
Participam do júri os promotores de justiça José Rui Barbosa e Ana Maria Magalhães Carvalho. Eles atuam em conjunto com os advogados assistentes de acusação Márcio José Gomes de Souza, filho de Dinho, e Carlos Figueiredo.
Em defesa dos réus estão atuando os advogados Claudio Dalledone Junior, Caio Fortes de Matheus e Eduardo Imbiriba.
Conforme a acusação, o motivo do crime foi uma dívida de mais de R$ 1 milhão da Cooperativa de Mineração Ouro Roxo com o comerciante Albenor Moura de Sousa, que fornecia combustível e outros produtos à entidade.
ESPOSAS
O primeiro dia o júri foi marcado pelos depoimentos das informantes Nelly Maria de Sousa e Adiel Simonia Simão, mulheres de ambos os réus. Em seguida, os denunciados foram interrogatórios.
A primeira a depor Nelly Moura, mulher de Albenor, prestou informações sobre a relação comercial existente entre a cooperativa e seu marido.
A mulher de Luis Lobo informou sobre o trabalho de cobrador como meio de vida do marido, junto aos garimpeiros da região.
LEGÍTIMA DEFESA
Os interrogatórios dos acusados começaram na parte da tarde e o primeiro a falar foi Albenor. Ele alegou ter atingido a vítima com um tiro na cabeça em legitima defesa.
“Matei para não morrer”, disse.
Conforme a versão do réu, a vítima teria lhe chamado para ir ao seu encontro com as notas promissórias do débito da cooperativa e que seguiriam até a cidade de Santarém, onde a vítima resolveria a pendência da cooperativa.
O réu alegou que foi encontrar o advogado e ambos foram até dua casa para pegar as notas promissórias, tendo este retornado com as notas e também armado por temer que a vítima estivesse também armada.
CADÁVER NO POÇO
Após efetuar o disparo de arma contra a vítima, o réu disse ter usado alvejante para limpar o local do sangue da vítima. Depois, enrolou o corpo numa lona plástica transportando até o posto de combustível, onde atirou o cadáver num poço desativado.
Luiz Miguel Rodrigues Lobo, o segundo acusado, era contratado para fazer cobranças de dívidas dos garimpeiros.
O ex-militar foi apontado por testemunhas de ter ajudado o comerciante de participar do homicídio, transportar o corpo e ocultar o cadáver. O denunciado nega qualquer participação no crime e jura ser inocente.

Com informações do TJ do Pará

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