Segundo
um técnico ambiental que estava no local, esta é a primeira de três
ensecadeiras para a construção da grande barragem de Belo Monte. Outra
menor está prevista próxima à casa de força do Sítio Belo Monte, na
altura do km 50 da Rodovia Transamazônica.
“A obra começou logo depois do ano novo”, contou um barqueiro que trafega pela área. Contudo, segundo ele, a primeira tentativa de erguer a barreira provisória, feita apenas com terra, foi levada pela correnteza. “Agora, eles também estão usando cascalho, pra ver se segura”, comentou. Também a ilha em frente à obra, onde passará o barramento, já está sendo desmatada. A autorização para supressão de vegetação foi dada pelo Ibama e prevê a derrubada de 5 mil hectares de floresta.
“A obra começou logo depois do ano novo”, contou um barqueiro que trafega pela área. Contudo, segundo ele, a primeira tentativa de erguer a barreira provisória, feita apenas com terra, foi levada pela correnteza. “Agora, eles também estão usando cascalho, pra ver se segura”, comentou. Também a ilha em frente à obra, onde passará o barramento, já está sendo desmatada. A autorização para supressão de vegetação foi dada pelo Ibama e prevê a derrubada de 5 mil hectares de floresta.
Moradores
das comunidades e aldeias mais próximas afirmam que ninguém foi avisado
do inicio da construção da ensecadeira. Ao verem as imagens mostradas
pelo Xingu Vivo, muitos mostraram-se atônitos. “A gente não sabia disso.
Começamos a ver que a água está vindo toda suja, toda barrenta , mas a
gente não sabia porque. Com isso que vocês estão nos mostrando, morremos
de tristeza. Não fizeram nada na aldeia [cumprimento de
condicionantes], e estão assassinando nosso rio”, disse o guerreiro da
aldeia Paquiçamba, Josinei Arara. Já entre os ribeirinhos e pequenos
agricultores, muitos ainda não saíram de suas ilhas, casas ou
comunidades, e afirmaram que só tem ouvido muitas explosões, cujo
barulho e trepidação chega a incomodar.
De
acordo com o geógrafo Brent Millikan, coordenador da ONG International
Rivers no Brasil, os impactos das ensecadeiras já ameaçam o rio.“Com as
ensecadeiras vem o desmatamento na Ilha do Pimental e ilhas vizinhas,
assim como explosões de pedra e terraplenagem, despejando sedimentos que
os moradores da Volta Grande já estão percebendo. Um dos impactos
principais é sobre os peixes que transitam pelo rio.Na usina de Santo
Antonio, no rio Madeira, por exemplo, muitos peixes ficaram presos entre
as ensecadeiras e morreram”.
Segundo
os moradores locais, uma grande preocupação agora é com a navegação do
rio. “Não sabemos como vamos atravessar essas barragens, se eles
fecharem o rio”, explica um dos barqueiros. De acordo com os indígenas
da aldeia Arara da Volta Grande, a Norte Energia apenas apresentou duas
animações de um sistema de “transposição” das embarcações, feita por um
guindaste, que suspenderia os barcos e os atravessaria para o outro lado
do barramento. “A Norte Energia também mostrou um vídeo de como isso é
feito na Polônia, mas todos os barqueiros e índios do Xingu são unânimes
em afirmar que isso não funcionará com o tipo de embarcação aqui da
região. Só funcionaria se nossos barcos fossem de plástico”, explica
Antonia Melo, coordenadora do MXVPS. Xingu Vivo: Texto: Ruy Sposati Fotos: João Zinclar




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