“O tráfico de pessoas é apenas um dos problemas decorrentes da
construção de Belo Monte. Este não foi o primeiro, nem será o último caso de
exploração sexual na região”. A declaração do coordenador
regional da Comissão
Pastoral da Terra, padre Paulo Joanil da Silva, reflete a revolta de dezenas de
manifestantes que se reuniram, ontem pela manhã, em frente à sede local do
Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM). O objetivo do ato público foi repudiar
as revelações recentes de tráfico humano, em Altamira e Vitória do Xingu, e a
construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Um documento foi protocolado no
MPF (Ministério Público Federal) pedindo a federalização das investigações que
apuram os responsáveis pela exploração sexual de, pelo menos, 32 pessoas.
Dessas, 18 também foram vítimas de tráfico humano.
O documento encaminhado ao MPF,
por meio da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), pede a
instauração de inquérito civil público para apurar as violações de direitos
humanos na Usina Hidrelétrica de Belo Monte, além da investigação dos crimes de
tráfico e trabalho escravo para fins de exploração sexual na região. Para isso,
foi solicitado ao Ministério Público que sejam responsabilizados, civil e
criminalmente, agentes públicos e empresas que estariam se mantendo omissos à
situação.
Segundo a assessoria de
impressa da CCBM, os estabelecimentos vistoriados pela polícia não estavam em
áreas da Norte Energia, consórcio responsável pela construção de Belo Monte.
Também participaram da manifestação membros da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB), Comissão de Justiça e Paz, Comitê Metropolitano do Movimento
Xingu Vivo, além de diversas outras entidades e organizações.
SDDH
promete levar o caso à ONU e OEA
“Nós vamos levar o caso à ONU
(Organização das Nações Unidades) e a OEA (Organização dos Estados Americanos).
Esse foi apenas um entre vários episódios de tráfico e exploração que ainda
precisam vir à tona. Nenhuma das condicionantes foi respeitada durante a
construção da usina, isso que é o mais grave. A população afetada fica à mercê
das consequências da obra”, diz o presidente da SDDH, Marco Apolo. Maurício
Matos, coordenador do Movimento Xingu Vivo, afirma que a construção de Belo
Monte deve ser suspensa para que sejam evitadas consequências mais sérias.
“Apenas de 15% a 20% da obra foi concluída, ainda estão fazendo trabalhos de
terraplanagem. Belo Monte não traz nenhuma vantagem, foi pensada para
beneficiar poucos. Nem o mínimo que deveria ter sido preparado antes de
iniciarem a construção foi feito. Nós esperamos que o Supremo Tribunal Federal
suspenda a construção, pelo menos, até todas as condicionantes terem sido
implantadas e muito bem avaliadas”, afirma.
Diário do Pará
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